Conduzir em segurança: Em vez de buzinar, trave!

Lembrei-me de uma situação que presenciei há alguns anos e que faz todo o sentido partilhar com todos nesta época, em que nunca é excessivo alertar para a necessidade de conduzir em segurança.

Certo dia, estava com um colega mais velho junto ao departamento de manutenção quando um senhor de alguma idade se aproxima, tendo ocorrido o seguinte diálogo:

– “Vou amanhã de férias com a minha esposa e tenho um problema no meu carro…, a buzina não funciona!”
Ao que o meu colega responde:
– “Mas o carro trava?”
– “Sim, tem calços novos! O problema é mesmo com a buzina.”
Então o meu colega diz algo que nunca mais me saiu da memória:
– “O meu caro Senhor vai fazer o seguinte… Amanhã entre com a sua esposa no carro e arranque de férias tranquilo. Se sentir necessidade de buzinar…, em vez disso, TRAVE!”


Várias vezes utilizo este diálogo para exemplificar o modo como as nossas expectativas condicionam a forma como tomamos decisões quando conduzimos. Ainda não terminou o ano de 2018 e já sabemos que as estatísticas da sinistralidade rodoviária são, mais uma vez, vergonhosas. Podemos abanar a cabeça de forma reprovadora, responsabilizar as entidades competentes, as estradas, a sinalização, as escolas de condução ou os outros de uma forma geral, mas nada nem ninguém terá tanta responsabilidade quanto nós próprios. Daí que só nos resta fazer o que está ao nosso alcance para que a nossa viagem de férias ocorra sem problemas. No entanto, para isso, não basta só substituir a tradicional “buzinadela” pela travagem brusca!

Em jeito de prenda de Natal, sugiro um exercício simples para quando estiver a conduzir. Imagine que, sempre que tiver de travar, só o poderá fazer três segundos depois de tirar o pé do acelerador. Ou seja, depois de soltar o acelerador conte 1…, 2…, 3… e, só depois, pode travar.

Desta forma, será obrigado a entender o trânsito, procurando e reconhecendo os riscos e os perigos o mais antecipadamente possível. Trata-se, por isso, de uma forma de atuar que o obriga a ler as condições do trânsito que vai encontrar bastante mais à frente, exercitando assim as suas capacidades de antecipação e previsão.

É um exercício simples, mas que o obrigará a manter uma maior distância do veículo que o precede e, mesmo sem se aperceber, praticar uma condução mais segura, tranquila e adequada à realidade do trânsito que o rodear nesse momento.

Obviamente que este exercício não se aplica caso se depare com algo que seja completamente inesperado. Nesse caso, reaja rapidamente e tome a melhor decisão, travando ou desviando a trajetória por forma a evitar o acidente, tendo em conta que o inesperado deve ser sempre a exceção e não a regra.

Assim, arrisco-me a completar o conselho do meu antigo colega que afirmou, “Ao invés de buzinar, trave!”, por um conselho que considero ainda mais completo:
“Em vez de buzinar… OBSERVE…, PENSE… e ATUE!”

 

Votos de Boas Festas e de um ano de 2019 em segurança!

 



Nuno Gomes

Formador e consultor na gestão da eficiência e segurança de condutores em frotas automóveis, é gerente da QI Formação e também formador especializado em condução de veículos pesados.


 

Líder em tecnologia de tracking, a Cartrack oferece serviços nas áreas de localização e recuperação automóvel e gestão de frotas.

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